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Ninguém gosta de morrer. Mas morrer às mãos de um traiçoeiro silencioso, de um cobarde que se esconde, é uma morte maior, uma morte com mais dor. Enfim, morrer assim é pior que morrer. Onde estão as mãos que abraçavam as minhas, para onde foram os beijos que nos aproximavam e davam ternura, onde se esconderam os abraços que me davam força? Dói! Uma dor que se esconde solitária, uma febre que tudo queima, um ar que teima em não entrar, que se perde sem proveito. E eu respiro, enquanto os números me sufocam. Preciso de ar para fazer voar o meu grito, preciso de vento para me devolver o eco, preciso de vozes, de corpos, preciso de mim e não sei onde estou. Pensava que o único vírus invencível era o amor…mas, afinal, é isso! Não matemos o vírus do amor, só ele nos pode salvar!   Fernando Morgado
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  Nos meus olhos um bailado de almas em resgate de amor. Quero-te à minha beira: dançamos! Penso e ouço, um coro de choros, sem idade, fala-me da dor que encapa a esperança. Quero-te no meu pensamento: sonhamos! Há um longe-perto de ti que me inquieta os sentidos. Quero-te na pele dos meus mimos: desejamos! Na multidão que marcha, sorrisos ganapos não sabem de nada. No meu suspiro, ouço a tua presença. Andarilha em mim: quero-te! Arames e muros, rasteiras e bastões, somos migrantes em nós – também eu. Quero-te no meu caminho: amamos! Desligo o aparelho, as imagens não se apagam. Continuamos, os dois! Dá-me a tua mão: ficamos!   Fernando Morgado
  Era Agosto, meu amor, e tu sabias que eu partia Em fogueira de promessas e de ilusões Como se o mundo nos abandonasse num vulcão E nos olhássemos em redutora combustão. Era Agosto, meu amor, e tu não querias Que a esperança te fugisse por entre as mãos Como quimera de sonhos já iniciados Criando um deserto na felicidade que nos demos.   Era Setembro, meu amor, e o vento nada trazia Deixando-me em dor e amargura Aos dias pequenos maior noite sucedia No silêncio dos porquês, farejava-me a loucura.   Era Setembro, meu amor, e só o mar como companhia Nem as lágrimas nem as ondas lavavam o teu desespero. Ali, naquela praia que esperava o nosso amor, tu pressentias em miragem o meu corpo.   É Outubro, meu amor, e tu sorris Na alegria dos nossos beijos recuperados.   É Outubro, queríamo-nos tanto, meu amor! É tempo de regresso… e havia que destronar a dor.       Fernando Morgado
  Façam com as palavras aquilo que quiserem, desfaçam-nas:   Ouçam-lhes o sorriso e a fragrância…   Bate a chuva incessante e o vento sussurra na minha janela, ouço a informação, tempestade no mar e o Celsius a descer… As folhas, açoitadas, procuram fugir de tamanha tormenta.   Que mulher aquela que, em blusa de linho, sobe a minha viela!   É em pele de galinha que ela me traz oásica ilusão, cuidado com a lareira, pode incendiar, diz a informação.   E a mulher descalça gargalha o seu olhar na minha inquietação.   Dá o cabelo ao vento para que ele os leve em onda tremente, e em refulgentes caracóis esconde a beleza na cabra-cega do meu olhar   Pára de repente, a chuva inclemente, os seus braços abertos, procura um abraço, e eu o que faço neste lugar de conforto? Impávido às labaredas que me consomem o corpo e o senso!   Já não a vejo, levou-a o vento ou a minha cegueira, estonteia-me a loucura de a ter aqui, à minha beira, náufrago do meu
  Provoco a morte em cada arrojo da alma Procuro o nirvana de todos os prazeres Piso caminhos venosos e incontornáveis Para remendar normalidades rasgadas Platão é testemunha destes meus passos. Partilho com ele o olho da alma Por saber que o amor é isento de matéria. Pode até ser corpo ausente. Pitágoras não será o meu teorema, Por mais que justifique todos os meus ângulos, Plenos de curvas em dissentimento, e Prejuízo alegórico de juízos militantes.   Procuro o amor em cada suspiro, Padeço de insónias e outras maleitas. Palhaço em enfeite de turvas desgraças, Pábulo de bocas que vomitam mentiras.   Procuro o amor em cada incerteza, Papiro de promessas e doces enganos.   Pilatos não saberá das minhas loucuras.   Possa eu ser Proteu das minhas conquistas.   Fernando Morgado
  Sente uma orquestra de gritos dentro do peito. Tremem-lhe os lábios em explosão de beijos. Rasgam-se os poros em pele de urgências. Inquieta-a o medo de nada ser igual. Será angústia? A paixão é!   Corre apressada Maria num trilho de sonhos. Deixa que o vento lhe leve alguns suspiros. Fica-lhe justo o tecidos dos seus anseios. Aperta os braços em corpo de incertezas. Será esperança? O amor é!   Fecha os olhos numa insistência de espelhos. Ajeita as melenas e perfuma os abraços. Corre-se em dedos numa premonição de prazeres. Antecipa os humores, endurecem-lhe os peitos. Será vontade? O desejo é!   É em pedras corridas na calçada dos afetos Que se dá à ilusão e ao encantamento. Sente-se em searas de girassóis e alfazema Sem continência de sonhos e de saberes. Será ilusão? O poeta é!   Fernando Morgado
  Ser poeta é dar sorrisos às lágrimas, Sentir o rasto delas nas emoções, Dizer de si o que a ilusão promete, Absorver a fragância dos sonhos E esperar que um abraço o aquiete.   Ser poeta é condição maior, até suprema, Entre pés de barro e marionetes de cristal, Vento fresco nas tormentas de Agosto, Malmequer num mar de incertezas E saber que o paraíso mora num poema   Ser poeta é ser rei do nada em campo de papoilas, Bordador de palavras e contador de medos, Alquimista de fogos-fátuos e de impossíveis, Pateta feliz num mundo de tanta dor, E fazer de um verso um acto de amor.   Ser poeta é desordem e desobediência, até pecado. É semear beleza no caos da normalidade, Colher sorrisos em beijos que enlouquecem, Sorver todos os humores então sonhados E querer, em cada momento, a eternidade.     Fernando Morgado