Claro que fica entre nós. Não me revejo no teu julgamento em praça pública.
Agradeço-te eternamente. Preciso mesmo de alguém como tu para mitigar este meu receio.

Confrontei-me estes anos todos com esse estigma. É uma ferida aberta, em crosta de medo.

Podes confiar, e continuar a contar comigo para desabafares. Todos temos os nossos problemas…

Sempre que o fiz, foi em voo de rapina, ao som de uma canção de amor. Por isso, nunca quis mais que um aluno ao mesmo tempo.

O beijo! Eu sei…também eu gosto de os roubar, sem fazer vitimas. Nunca o fiz em confronto, menos ainda em sofrimento.

A beleza dos lábios – inocência e descuido - deixa-me sem equilíbrio, sem probidade.

O que mais impressiona no teu desabafo é a frieza com que o dizes; o princípio e o fim em que o beijo é o que menos conta.

Também fui cobaia. Sabes lá o que é ter a mão ainda pequena para o prazer alheio!

E…

Sim, a mão e o corpo; as noites e os dias; a boca e o cheiro; a ameaça e o silêncio: nem a imaginação te dará respostas.

Toda a gente te admira, sempre foste, e és, muito bonita. Sempre interessada e disponível, nunca alguém percecionou esse teu fétiche. Mas…confia…fica entre nós!


Um dia destes, vou falar contigo. Preciso de falar contigo, sei que me ajudarás.

Também tens a memória cheia?

Não, tenho a carteira vazia!

 Sabes que estarei sempre aqui, ou do outro lado da linha, pronta para te ouvir.

O Novo Banco foi uma desgraça…

Como assim?

Falamos depois. E o amor? Nunca te apaixonaste?

Gosto de algumas cenas, não daquelas que sobrevivem muito tempo.

Eu e a minha mulher gostamos muito de ti; gostamos de umas cenas!

Mas…

Podes confiar em mim!

(Poderes: 2)
 
 
Fernando Morgado

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