Sente uma orquestra de gritos dentro do peito. Tremem-lhe os lábios em explosão de beijos. Rasgam-se os poros em pele de urgências. Inquieta-a o medo de nada ser igual. Será angústia? A paixão é! Corre apressada Maria num trilho de sonhos. Deixa que o vento lhe leve alguns suspiros. Fica-lhe justo o tecidos dos seus anseios. Aperta os braços em corpo de incertezas. Será esperança? O amor é! Fecha os olhos numa insistência de espelhos. Ajeita as melenas e perfuma os abraços. Corre-se em dedos numa premonição de prazeres. Antecipa os humores, endurecem-lhe os peitos. Será vontade? O desejo é! É em pedras corridas na calçada dos afetos Que se dá à ilusão e ao encantamento. Sente-se em searas de girassóis e alfazema Sem continência de sonhos e de saberes. Será ilusão? O poeta é! Fernando Morgado
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Poesia
Nos meus olhos um bailado de almas em resgate de amor. Quero-te à minha beira: dançamos! Penso e ouço, um coro de choros, sem idade, fala-me da dor que encapa a esperança. Quero-te no meu pensamento: sonhamos! Há um longe-perto de ti que me inquieta os sentidos. Quero-te na pele dos meus mimos: desejamos! Na multidão que marcha, sorrisos ganapos não sabem de nada. No meu suspiro, ouço a tua presença. Andarilha em mim: quero-te! Arames e muros, rasteiras e bastões, somos migrantes em nós – também eu. Quero-te no meu caminho: amamos! Desligo o aparelho, as imagens não se apagam. Continuamos, os dois! Dá-me a tua mão: ficamos! Fernando Morgado
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